Nidinha e a história dos brasileiros sem confiança no Inglês que falam

Texto originalmente publicado em Inglês em outubro de 2019. Para ler o original, clique aqui.

Quando conheci a Nidinha (esse é o apelido dela) pela primeira vez, fiquei impressionado com o quanto ela sabia sobre idiomas. Tivemos uma conexão instantânea por causa de nossos interesses em comum por arte, culturas, viagens e línguas. Nossas aulas, portanto, eram essencialmente longas conversas.

Nidinha havia sido professora universitária por décadas. Quando ela se aposentou, eu nasci. Foram só 30 anos depois que nos conhecemos. Ela queria aprimorar o Inglês já que não viajava para o exterior havia mais de seis anos. Nidinha era fluente em Espanhol e conseguia se comunicar muito bem em Francês. Ela também tinha algum conhecimento de Italiano. O Inglês, no entanto, sempre havia sido sua paixão junto com uma cidade; para ser mais específico, Nova York. Mais frequentemente do que o contrário, nossas conversas giravam em torno das memórias dela sobre viagens para cerca de 50 países diferentes. Nova York era um de seus destinos favoritos, talvez o mais de todos. Ela costumava passar um mês na “cidade que nunca dorme” todos os anos. Devido a condições médicas, ela teve que parar de fazer viagens de longa distância no começo da década.

Após alguns meses de aula, senti que precisava sugerir a Nidinha que conversasse com os médicos dela: eu disse “você deveria viajar”. Muitas vezes, nossas conversas se concentravam nas vicissitudes de ser idosa. Para Nidinha em particular, a diferença entre o cansaço físico e a mente ativa era o maior problema. De certo modo, ela sentia-se infeliz por não poder mais viajar. Eu rapidamente tive essa impressão em nossas interações, por isso fiz a sugestão. Estava claro para mim que viajar novamente daria a ela o ar fresco de que precisava, e também o sentimento de autonomia pelo qual tanto ansiava.

Vamos avançar um pouco no tempo: depois de um pouco de planejamento, Nidinha teve permissão para viajar, mas não sozinha. Como ela não encontrou um parente ou um amigo com disponibilidade para ser sua companhia, ela convidou a mim. Depois de mais um pouco de planejamento, chegamos a Nova York na época da Páscoa de 2019. Foi uma aventura e tanto. Ela teve alguns problemas de saúde, provavelmente por causa da combinação de mudanças na alimentação e do clima, mas visitamos muitos dos lugares de que ela se lembrava ou sugeriu.

Falar diz respeito a comunicar-se

Aventuras da viagem à parte, o que quero destacar aqui é sobre a língua: quando estávamos juntos, Nidinha costumava ter vergonha ou falta de confiança no Inglês dela. Faz sentido se você está com alguém que conhece o idioma um pouco melhor do que você, mas não deveria! Falar outro idioma é sempre desafiador. É isso que todos nós fazemos quando fazemos aulas de um idioma. Nós nos expomos ao julgamento dos outros.

Nidinha e eu visitando o Memorial do 11/09 em abril de 2019. Licença: CC BY-NC-ND 4.0

Isto é bastante impressionístico, baseado nas histórias contadas por outros brasileiros professores de Inglês e na minha experiência pessoal: os brasileiros falantes de Inglês tendem a menosprezar sua capacidade de falar o idioma. Na maioria das vezes, devido a problemas de pronúncia. Também na maioria das vezes, esse medo é injustificado. Sempre que eu deixava a Nidinha interagindo com outros, no instante em que eu retornava, todos me elogiavam sobre o Inglês dela. Era óbvio para mim que ela podia se comunicar perfeitamente bem em Inglês. Não importa se algumas palavras fugiam da cabeça dela, ela conseguia se fazer entender. E é disso que falar uma língua se trata.

A história da Nidinha ilustra muito bem por que você deve sempre se arriscar a falar em Inglês se quiser melhorar suas habilidades comunicativas. Erros serão cometidos, e tudo bem. A língua falada não é (essencialmente) sobre usar gramática de modo perfeito nem sobre ter todo o vocabulário que você desejaria ter para aquela ocasião. Trata-se de fazer a interação funcionar, com falhas, linguagem corporal, alguma explicação extra para palavras que você não lembra, etc.

Nidinha conseguia falar muito bem comigo em aula. Ela descobriu que também podia fazer o mesmo em Nova York depois de seis anos. Quando você sabe que vem estudando o idioma e praticando-o o máximo possível com seu professor e sempre que tem uma chance, então você deve confiar no seu progresso. Assuma os riscos e converse. Esqueça a gramática por um instante e concentre-se nesse objetivo: você só precisa se fazer entender.

How the simple past didn’t got in my way when I first went abroad*

This text is about a short, personal story. I hope it helps everyone get confident to engage more and more in English conversations.

Back in 2012, I stayed for two and a half months in Los Angeles, California. I was doing fieldwork for my Master’s in Communication and Culture in the office of a nonprofit. That was my first time ever abroad. I was 23. Being there had nothing to do with English, but it was, of course, an English-speaking environment. My arrangements to be there were as follows: part of the time I had to work as an intern for the Spanish-language Media division of the organization; the rest of the time was for my fieldwork, which included a few interviews (I’ll get back to this soon).

Well, I formally started studying English when I was 8 and got to the advanced level when I was 15. I regard this period as crucial due to the intensive presence of English during my literacy stage both in Portuguese and English. Being a young learner also has pronunciation implications [1] that I became aware of only later. Anyway, in the mid-2000s I felt I could manage most situations in English.

After 2004, I kept using the language, but not as regularly as before. In college and after it, I studied English in more detail, especially because I got involved in teaching Portuguese, so I kind of “mirrored” my interest in Portuguese grammar to English likewise. Conversation, however, was minimal because of many reasons I have explored in another text.

That’s me (in a bad hair day, but just the hair was bad) visiting the Getty Villa, in Malibu. License: CC BY-NC-ND 4.0.

So it was 2012 and I was in LA. During my time there, I could communicate quite effectively with everyone in the office and elsewhere. There was never a situation in which someone asked me to repeat something or refused to interact because of my accent or the mistakes I was probably making. As I mentioned before, part of the research for my Master’s entailed interviewing the nonprofit staff. So I did. Some fifteen interviews were recorded in a few weeks. Interestingly, there were no communication problems. Months later, back in Brazil, I started to analyze the material for my thesis.

Stunningly, many of my questions in the past tense were incorrect. Something like “Did you thought that action was good for the organization?”. Any English teacher reading this knows that problems with the auxiliary did + infinitive is one of the top mistakes of English learners when it comes to the simple past. It was my case and I didn’t notice it during the interviews. Let me be clear: I knew the grammar stuff, I just wasn’t aware of that mistake while I was speaking. The benefits of recording ourselves…

Why is this story relevant? Because of this: no one interacting with me in that office, in the streets or elsewhere stopped the conversations or avoided talking to me. They could understand me despite this and possibly other mistakes. And I didn’t only talk about daily topics while there. I went to different places accompanied by some of the staff, and we chatted about Brazilian and US politics, ancient art, political strategies and activism (this was part of my research) and so on. That means many other mistakes were possibly in place, and they didn’t prevent communication.

Isn’t it pretty much the same when a foreigner (a gringo) says things like “Eu pensar que tinha um problema”? We can get the idea and the speaker’s intention of referring to the past.

So that’s my personal story and a message at the same time: when you’re communicating, mistakes might happen and they shouldn’t hinder you. If the people you’re talking to are able to understand you, then the interaction is being effective. You’re already making an effort to communicate in another language, which translates into challenges and exposure, so any sensible speaker should acknowledge it and help the conversation to flow.


*didn’t got” in the title was on purpose. I hope it’s clear why.

[1] Age effects on second language acquisition (SLA) is a well-studied topic, although the academic debate is involved. For specialized overviews, I suggest: Abrahamsson, N. and Hyltenstam, K. 2009. Age of Onset and Nativelikeness in a Second Language: Listener Perception Versus Linguistic Scrutiny. Language Learning, 59:2, 249–306. DOI: 10.1111/j.1467‐9922.2009.00507.x; and DeKeyser, R.M. 2012. Age Effects in Second Language Learning. In: Handbook of Second Language Acquisition, S.M. Gass and A. Mackey (eds.), 442–460, London: Routledge.

Se há tanta pesquisa, por que há tanta coisa errada na política?

Desde que comecei o doutorado, quando pego Uber para ir à universidade, a “interação” ocorre por dois caminhos possíveis: silêncio total ou uma conversa breve. Havendo conversa, invariavelmente sou perguntado sobre qual é minha área ou o que estudo. Como num experimento, já respondi de inúmeras maneiras: às vezes digo Ciência Política, mas não falo que é doutorado; às vezes amplio para “área de Ciências Sociais“; eventualmente informo que estudo comportamento humano (risos). Sempre respondo com uma sensação mista de que “devo me preparar para sair correndo” e “devo me preparar para uma análise sistêmica do que se passa no Brasil“. Meu experimento, por ora, só levou ao segundo resultado.

Introdução feita, na corrida desta semana, respondi que estudava Ciência Política. O motorista reagiu como boa parte reage quando falo isso: com um franzir de testa que mescla “é um cliente, preciso demonstrar interesse” com “que porcaria de escolha” com “deve estar tendo trabalho para explicar o Bolsonaro, né?”. Ao fim e ao cabo, sempre sou perguntado sobre Bolsonaro de alguma maneira. Esse motorista em particular reagiu com um enquadramento para o qual eu não havia atentado ainda o quanto pode ser profícuo: ele disse que não entende como há tanto estudo, tanta pesquisa, e a política está nesse estado, com tanta corrupção, tanta coisa errada.

É uma reação comum, mas o enquadramento me ajudou a respondê-lo, e vou estender a reflexão aqui. Respondi que, em geral, há duas atividades dominantes entre pesquisadores: uma delas diz respeito à descrição e análise do que ocorre; a outra, conseguinte à primeira, é mais aplicada, e procura oferecer soluções a problemas reais [grosseiramente, é a caracterização de pesquisa pura e aplicada, respectivamente].

Disse a ele que a maioria dos cientistas políticos analisa e explica o que ocorre na política, mas não somos atores diretos na/da política, não fazemos política no sentido usual. Acrescentei que um ramo como o da análise de políticas públicas, no geral, ajuda muito a explicar como e quais programas funcionam, etc. Recorri, por fim, a uma comparação com áreas menos controversas: disse a ele que entre biólogos e médicos não há controvérsia quanto à eficácia de vacinas; ele concordou. Eu disse que, mesmo assim, há problemas graves ocorrendo pelo mundo (citei São Paulo e Nova York como exemplos) por causa de campanhas anti-vacinação baseadas em mentiras, mas também, em convicções pessoais e religiosas.

A partir do exemplo das vacinas, também disse a ele que há um volume enorme de pesquisas em todas as áreas cujos consensos implicam que sabemos, sim, quais medidas, propostas e arranjos são mais efetivos ou trazem resultados comprovados. Em todas as áreas. Entretanto, como no caso das vacinas, o que decisões individuais respaldadas pela liberdade de cada indivíduo e das famílias, pela democracia e por pactos coletivos vão produzir está fora do controle de quem pesquisa o assunto.

A existência de um consenso e de uma avalanche de evidências não se traduz em consenso político e social necessariamente. O exemplo das vacinas é ainda mais expressivo porque a eficácia da vacinação é coletiva, uma vez que os imunizados protegem os que não podem se vacinar devido a alergias ou questões imunológicas, por exemplo. Logo, a decisão individual, neste caso, tem alto impacto coletivo. Como se resolve isso é de natureza inteiramente política.

Encerrei dizendo, então, que se sabe muito sobre como combater corrupção ou oferecer melhor educação à sociedade, mas estas evidências podem ou não ser objeto de uso político, no sentido usual. Elas podem integrar projetos políticos e podem ser coletivamente escolhidas (via eleição). Ou não. Podem ser implementadas com ou sem sucesso. Ou nunca serem implementadas.

Do mais prosaico (má nutrição afeta o desenvolvimento de crianças) aos temas mais complexos (política de combate às drogas; legalização do aborto; aquecimento global), existe um volume muito expressivo de evidências sobre quais as melhores formas de lidar com cada questão. A maioria delas vai requerer uma chancela de um domínio específico, o normativo, que não diz respeito às evidências em si. O que decorre disso, no fim, é o resultado do desenrolar da política e das disputas sociais.

Desigualdades sistêmicas: talento só não basta

Toda esta reflexão foi para fazer (mais) um registro sobre os severos limites que visões vagas de liberalismo deveriam receber nas nossas sociedades e escolhas políticas. Um relatório do Centro para a Educação e a Força de Trabalho da Universidade Georgetown (Washington, DC, EUA), lançado em 2019, tem o seguinte título: Nascidos para vencer, escolarizados para perder: por que estudantes igualmente talentosas(os) não têm as mesmas chances de serem tudo que podem ser.

O título já diz muito, e o essencial é que igualdade de talento (medido de certa maneira, é claro) não garante resultados potenciais iguais no futuro. Esse tipo de conclusão e debate é antigo entre correntes filosóficas e políticas, e costuma inclusive distinguir grosseiramente o que é ser de esquerda ou de direita. Pelo menos quanto à relação entre mérito individual e histórico familiar e social, as evidências de pesquisa são gritantes quanto à ineficácia de se acreditar que cada indivíduo é responsável único pelo (in)sucesso de sua trajetória escolar e profissional.

Para colocar um resumo, traduzo abaixo quatro parágrafos do sumário executivo do estudo (página 1). O que eles antecipam é um museu de velhas novidades, como vocês poderão notar. Uma obervação pontual e mais técnica: o estudo é longitudinal.

Ao longo da juventude, crianças em relativa vantagem gozam de ambientes protetivos e enriquecidos que ajudam a assegurar o sucesso delas. Enquanto isso, crianças igualmente talentosas, mas de backgrounds pobres, ficam para trás por causa de desvantagens materiais. Surpreendentemente, uma criança do menor quartil [25%] de status socioeconômico, que tem alta pontuação em testes no jardim de infância, tem apenas uma chance de 3 em 10 de obter uma graduação e um bom emprego de nível inicial quando adulta, comparada a uma chance de 7 em 10 para uma criança no quartil mais alto [75%] de status socioeconômico que tem baixa pontuação em testes. […]

Crianças de minorias étnicas nos EUA têm maior probabilidade do que crianças brancas de virem de famílias com baixo status socioeconômico. Arte: Georgetown Center on Education and the Workforce, Born to Win, Schooled to Lose: Why Equally Talented Students Don’t Get Equal Chances to Be All They Can Be, 2019, p.14.

Quando crianças de famílias afluentes “tropeçam”, elas têm uma queda mais suave e apoio para voltar ao rumo, enquanto aquelas de ambientes mais adversos são mais propensas a “cair feio” e nunca mais se recuperarem.

Essas vantagens e desvantagens são compostas por desigualdades raciais e étnicas sistêmicas. Como resultado, crianças negras e latinas têm menor probabilidade do que colegas brancas e asiáticas com pontuações similares em testes de alcançar sucesso educacional e econômico.

Assim, a probabilidade de sucesso é com muita frequência determinada não pelo talento inato de uma criança, mas pelas circunstâncias de vida dela ou dele — incluindo fatores que determinam o acesso a oportunidades baseados em classe, raça e etnia. Em resumo, o sistema conspira contra jovens de famílias pobres, especialmente aquelas que são negras ou latinas. 

Políticas afirmativas como cotas, a despeito das complexidades de implementação e mesmo monitoramento, são um exemplo de intervenção baseada neste tipo de evidência sobre desigualdades que perduram sistematicamente. Considere-se, por fim, que os dados são sobre os Estados Unidos, logo a situação desse tipo de desigualdade no Brasil é possivelmente mais alarmante. Eu poderia prosseguir para o debate clássico sobre capitalismo e desigualdade, mas acho que meu raciocínio já está bastante óbvio.

O que fazemos coletivamente com as evidências que já temos? Não culpe (apenas) quem pesquisa. Ironicamente, a foto fixa desta publicação é de uma manifestação feita [provavelmente] em 2017 na capital dos EUA, em que cientistas marcharam pedindo por mais investimentos em pesquisa e mais análise científica na política. É uma foto emblemática para a encruzilhada entre o desalento do motorista que me interpelou e a situação atual da ciência e da pesquisa brasileiras.

Nidinha and the story of Brazilians unconfident about their spoken English

When I first met Nidinha (this is her nickname), I got impressed by how much she knew about languages. We had an instant connection because of our common interests in arts, cultures, traveling, and languages. Our classes, therefore, were essentially long conversations.

Nidinha had been a college professor for decades. When she retired, I was born. It was only 30 years later that we first met. She wanted to brush up her English since she hadn’t traveled abroad for over six years at that time. Nidinha was fluent in Spanish and could communicate fairly well in French. She also had some knowledge of Italian. English, however, has always been her passion along with a city, to be more specific, New York. More often than not, our conversations would revolve around her trip memories to some 50 different countries. New York City was one of her favorite destinations, maybe the most one. She used to spend a month in the city that never sleeps every year. Due to medical conditions, she had to quit long-haul trips at the beginning of the decade.

After a few months of classes, I felt I had to suggest Nidinha she would talk to her physicians: I said, “You should travel”. Oftentimes our exchanges would dwell on the vicissitudes of being an elder. For Nidinha in particular, the gap between body tiredness and an active mind was the biggest issue. In some regards, she felt miserable about not being able to travel anymore. I quickly got that impression from our chats, hence I made that suggestion. It was clear to me that traveling again would give her the fresh air she needed, also the feeling of autonomy she craved so much.

Let’s fast-forward things a bit: after some planning, Nidinha was allowed to travel, but not alone. She couldn’t find a relative or a friend with the availability to be her companion, so she invited me. After some more planning, we made it to New York around Easter time. It was quite an adventure. She had some health issues, probably because of the combination of dietary changes and the weather, but we visited a lot of the places she remembered or suggested.

Speaking is about getting across

Adventures of the trip apart, the thing I want to highlight here is about language: when we were together, Nidinha was often shy or lacked confidence in her spoken English. It makes sense if you are with someone who knows the language a bit better than you, but it shouldn’t! Talking in another language is always challenging. This is what we all do when we take classes. We expose ourselves to others’ judgment.

Nidinha and I visiting the 9/11 Memorial in April 2019. License: CC BY-NC-ND 4.0

This is very impressionistic, based on the stories told by other Brazilian teachers of English and my personal experience: Brazilian speakers of English tend to undermine their spoken ability. Most of the time because of pronunciation issues. Also most of the time, this fear is unreasonable. Whenever I left Nidinha interacting with others, the moment I came back everyone praised her English to me. It was obvious to me that she could communicate in English perfectly. No matter if some words would slip her mind, she managed to make herself understood. And that’s what speaking a language is about.

Nidinha’s story illustrates quite well why you should always take the risks of talking in English if you want to improve your communicative skills. Mistakes will be made, and that’s perfectly fine. Spoken language is not (essentially) about using perfect grammar nor having all the vocabulary you wish you had for that occasion. It is about making it work, with gaps, body language, some extra explanation for words forgotten, etc.

Nidinha could speak with me really well in class. She found out that she could also do that back in New York after six years. When you know you have been studying the language and practicing it the most with your teacher and whenever you have a chance, then you should trust your progress. Take the risks and talk. Forget about grammar for a while and focus on this goal: you just need to get across.

Speaking English in Brazil aka swimming against the tide

A few years ago, I got a taxi in Santa Maria (a college city in the heart of Rio Grande do Sul, the southernmost state in Brazil). The taxi driver and I were making small talk when the fact that I teach English came up. The driver then told me he was thinking about having English classes or even have it taught to someone else who would work for him. His rationale was that being able to speak the basics of English would be good for business, especially with passengers who happened to be foreigners. I said it was a good idea, but added that maybe he should focus on Spanish, considering that Santa Maria is surrounded by Spanish-speaking countries. Moreover, the city seldom gets an influx of English-speaking tourists that possibly could justify learning it for that specific reason. After some thought, he agreed that I was probably right.

This story helps me to make the case for when you should not invest your time and resources in learning a language. However, sooner rather than later: it’s always beneficial to learn a new language for a multitude of reasons (cultural acquisition, cognitive training, ability to understand more and faster what the world offers us, etc.). What I’m saying here is past that, it is meant to people who have limited time and resources and need to make decisions based on that. This is pretty much the situation for 99% of us, so let’s start from this common ground.

English is far from being crucial for a variety of contexts in Brazil. A lot of jobs never require you to interact in or understand the language. Even some technical-driven college courses do not require more than a limited range of vocabulary for daily activities. The taxi driver story I told illustrates it, and so is the case for a lot of other professions depending on where you live/work and how often English-speaking tourists visit your city.

We can go further and think about the main topic of this text: specific linguistic abilities such as speaking. More times than I could count, professors and researchers whom I taught would be fairly proficient in their paper writings without having more than a basic (A2/B1) command of spoken English. If it’s not part of their plans to speak at international conferences or to teach in English, not being proficient in speaking is not a big deal (most of the time).

When speaking is important then?

If you simply think of the opposite of the previous examples, you should have an idea of when speaking English is relevant. The real challenge here is not when, but how long it takes.

Quick answer: it takes forever. But here is the fun — and logic — of it: why would you learn how to speak a language if not to use it again and again? So the quick answer means precisely that you will be investing forever in your speaking skills. You could call it “speaking the language”, which is correct, but technically you’re “learning the language” over and over. The same goes for our native language (have you ever heard lecturers whose speech and ideas-organization was poor? I have, and it might be because of lack of practice), it just seems effortless because you’re surrounded by it.

Photo: Austin Chan on Unsplash, under a CC0 1.0 license.

And this is where the challenge resides: I’m assuming most reading this piece are Brazilians. Although the following might be the case of  many other countries, I’ll focus on Brazil: speaking in English in 99% of the contexts in Brazil is almost impossible, hence the metaphor in the title. If less than 6% of the population acknowledges knowing some English — and this is highly concentrated in middle and upper classes —, it’s really difficult to have the opportunity to interact in English. It’s to swim against the tide, or an uphill battle as I said elsewhere.

Picture it: virtually all visual clues in the cities are in Portuguese (how often are you inside an airport to get to see those bilingual signs?); coworkers, instructors, and professors speak in Portuguese; all media content in broadcast TV is in Portuguese, and a lot of paid channels too; most of everyone’s friends, family, and significant others probably speak Portuguese. If you don’t make an effort to create situations to practice your English, you’re not going too far.

Once I did the math for a student: we usually had 2 hours of English practice a week; this is about 9h a month, 99h a year considering 11 months of class. On the other hand, if you were living and studying in an English-speaking country (or in one where English is a second language), we could assume you would be interacting in English for about 8h a day, 48h a week (I gave you Sunday as rest), 216h a month… almost 2,600 hours a year. So it’s about 2,626% more. I know, maybe 99h a year is a very modest estimation. How many more hours a dedicated learner could include in their routine? I think anyone can get the idea.

These are the p(l)ain facts then. Make room in your routine for conversation, English-speaking settings, people who (want to) speak the language. If it is not part of your life, it becomes Latin: many people know some words in Latin, but it is a dead language.

My teaching history plus some facts hard to swallow

Teaching has been part of my life since I was very young. Back then, I was not a teacher de facto, but I somehow was involved in teaching. I started teaching Portuguese and Writing skills in a cram course in 2008. Since then, I have taught Portuguese, Communication, Publishing, and mostly for the last five years, English. My students have come from various walks of life, but because of a recurrent demand among many of them, and also my personal goals, I have devoted more energy to academic English, known as English for Academic Purposes (EAP) in the ELT jargon.

Besides working in an English school for almost four years, I have dedicated most of my teaching time to private students and their projects. For the past five years, I have helped to hone the English skills of more than 30 learners of all levels (and ages) with different purposes: traveling abroad, sitting an exam, applying for all kinds of academic positions, brushing up on speaking, or getting ready to move to another country. My youngest private pupil was 8, and the oldest one was 83 when we first met (we even traveled abroad together, read the story here).

Now let’s take this “story of success” with a grain of salt: learning is a three-way process from my point of view. One is the instructor; the other, heavily influenced by the teacher, is the material or coursebook; the last one is the learner. Some of my students needed an intensive, short course for a test, for instance; this would normally be something around 2-3 months. That’s perfectly fine. Any other way, learning a new language is an ongoing process. Sadly, a lot of students (need to) give up for all sorts of circumstances, so they feel they are eternally stuck in the same level when they get back to learning the language. I can honestly relate to that because I also lived it: I did not commit enough to learn German nor French in the past. When it comes to English, as a language I have been constantly exposed to since I was 8, it is a different story. At the end of the day, I have been studying English for the past 23 years.

Cambridge levels for the CEFR, 2015. This version is a little old, but I prefer its clarity over the new one. Source: Cambridge English.

This gets me back to my past and current students: each of them has/had specific goals, so long or short-term classes depend on those very goals. What is important is to know what you need (your instructor usually knows it better) and face the facts when it is not just taking a test or a quick Skype interview. If you want to keep your feet on the ground, the bottom line is: to be a proficient user of the language, it will take you a few years. The exact amount of time will depend on many factors, but the Association of Language Testers in Europe (ALTE) has some broad estimations of “guided learning hours” one needs to progress from basic user (A1) to an independent one (B2).

Number of “guided learning hours” to progress in the CEFR levels. Source: Introductory Guide to the Common European Framework of Reference (CEFR) for English Language Teachers, CUP, 2013, p.4.

Having the facts, even though they are not really exciting, leave you to the question of how much work you need (and are willing) to do in order to learn the language and if you can commit to that. Maybe you just need to refresh things. Or just pass an exam, write a bunch of emails in English, and so on. Knowing what you need and what you want will save you a lot of time, money, and stress.